UNICEF afirma que 347 milhões de crianças enfrentam risco de seca e inundações devido ao El Niño
A UNICEF relata que mais de 347 milhões de crianças em quase 100 países poderão enfrentar condições invulgarmente húmidas ou secas entre outubro e dezembro de 2026, à medida que o El Niño se intensifica.

Os factos
- Dados da UNICEF estimam que mais de 347 milhões de crianças em quase 100 países e territórios poderão enfrentar condições invulgarmente húmidas ou secas entre outubro e dezembro de 2026 devido ao El Niño.
- Em setembro, o índice Niño 3.4, uma medida das temperaturas da superfície do mar no Pacífico tropical, ultrapassou os valores registados em todos os eventos anteriores do El Niño, incluindo 1997 e 2015, segundo a ONU News.
- O governo da Papua-Nova Guiné declarou o evento em junho, criou uma força-tarefa e aprovou um orçamento suplementar de 112 milhões de dólares; estima-se que cerca de 1,2 milhões de pessoas necessitem de ajuda alimentar direta.
- Prevê-se que o El Niño de 2026-2027 se torne um dos mais fortes de que há registo; na Papua-Nova Guiné, os maiores impactos na agricultura e na segurança alimentar são esperados a partir de novembro.
- Dados da UNICEF citados pela ONU News indicam que 1,1 mil milhões de crianças, quase metade das crianças do mundo, já estão expostas a pelo menos três perigos relacionados com o clima que se sobrepõem.
Espera-se que mais de 347 milhões de crianças em quase 100 países e territórios enfrentem condições invulgarmente húmidas ou secas entre outubro e dezembro de 2026 devido ao El Niño, segundo dados da UNICEF citados pela ONU News. A agência afirmou que as condições aumentam o risco de inundações e secas extremas. A ONU News noticiou que se prevê que o El Niño de 2026-2027 se torne um dos mais fortes de que há registo.
Em setembro, o índice Niño 3.4, uma medida das temperaturas da superfície do mar no Pacífico tropical utilizada para acompanhar o El Niño, ultrapassou os valores registados durante todos os eventos anteriores do El Niño, incluindo 1997 e 2015, segundo a ONU News. As condições de El Niño estão presentes desde meados de 2026 e prevê-se que atinjam o pico entre outubro e dezembro. A ONU News noticiou que alguns observadores do clima apelidaram o padrão de "Super El Niño".
Na Papua-Nova Guiné, as fontes de água estão a secar, as colheitas estão a falhar e os preços dos alimentos estão a subir meses antes de serem esperados os piores impactos agrícolas, noticiou a ONU News. O governo declarou o evento em junho, criou uma força-tarefa dedicada e aprovou um orçamento suplementar de 112 milhões de dólares. Estima-se que cerca de 1,2 milhões de pessoas necessitem de ajuda alimentar direta, com escassez de água, perdas de colheitas, reservas alimentares em diminuição e preços mais elevados já reportados. Os maiores impactos na agricultura e na segurança alimentar no país são esperados a partir de novembro.
"Para as crianças, o El Niño é muito mais do que um padrão meteorológico. Pode significar um aumento das deslocações, desnutrição, escassez de água e surtos de doenças", afirmou a diretora executiva da UNICEF, Catherine Russell. "As crianças também correm o risco de as escolas fecharem, enquanto as famílias poderão enfrentar dificuldades financeiras acrescidas."
Em toda a Grande Corno de África, condições mais húmidas do que o normal poderão aumentar o risco de inundações fluviais e repentinas, aumentar a propagação de doenças transmitidas pela água e perturbar a escolaridade, segundo a ONU News. A ONU News noticiou também que as crianças que vivem no meio de conflitos e deslocações na região mais ampla, incluindo o Iémen, o Sudão e o Afeganistão, enfrentam riscos particularmente agudos.
A ONU News noticiou que 1,1 mil milhões de crianças, quase metade das crianças do mundo, já estão expostas a pelo menos três perigos relacionados com o clima que se sobrepõem, como seca, calor extremo ou inundações. Na Papua-Nova Guiné, as escolas estão a ser perturbadas, com preocupações noticiadas em relação à saúde, nutrição e incêndios florestais.
Contexto
O El Niño é um padrão climático monitorizado através do índice Niño 3.4, que mede as temperaturas da superfície do mar no Pacífico tropical. Segundo a ONU News, pode alterar os padrões de precipitação a milhares de quilómetros do Pacífico tropical, deixando algumas regiões com seca e escassez de água, enquanto outras recebem chuvas mais intensas, inundações e riscos de doença acrescidos.
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