Saúde

Equipa da UCSF reprograma células imunitárias dentro de ratinhos para combater o cancro, diz estudo

Um estudo na Nature relata a edição de células T dentro do corpo em ratinhos, uma abordagem que os investigadores dizem poder reduzir o custo e a demora da terapia CAR-T.

07/10/2026, 13:34 UTC3 min de leitura1 Fontes

Os factos

  • Investigadores da UC San Francisco relataram ter reprogramado células imunitárias dentro do corpo em ratinhos com sistemas imunitários humanizados, num trabalho descrito na Nature.
  • A ScienceDaily noticiou que é a primeira vez que um grande segmento de ADN foi inserido num local preciso em células T humanas sem primeiro remover essas células do corpo.
  • A equipa testou o método contra leucemia agressiva, mieloma múltiplo e um tumor sólido.
  • Sete terapias de células CAR-T estão aprovadas pela Food and Drug Administration dos EUA para cancros do sangue, custando tipicamente entre 400.000 e 500.000 dólares.
  • O autor sénior Justin Eyquem classificou o acesso à CAR-T como 'uma questão de acesso global', dizendo que muitos doentes que beneficiariam 'ou não podem pagar por elas ou não as conseguem obter com a rapidez suficiente'.

Investigadores da UC San Francisco desenvolveram um método que reprogramou células imunitárias de combate ao cancro dentro do corpo de ratinhos, segundo um trabalho descrito na Nature e noticiado pela ScienceDaily a 7 de outubro de 2026. As experiências utilizaram ratinhos com sistemas imunitários humanizados. A ScienceDaily noticiou que o trabalho representa a primeira vez que cientistas inseriram um grande segmento de ADN num local preciso em células T humanas sem primeiro remover essas células do corpo.

A terapia padrão com células CAR-T exige que os médicos recolham as células imunitárias de um doente e as enviem para uma instalação especializada, onde as células são geneticamente modificadas para reconhecer o cancro, sendo depois enviadas de volta e infundidas no doente, segundo a ScienceDaily. O processo pode demorar semanas e custar centenas de milhares de dólares. Sete terapias com células CAR-T estão atualmente aprovadas pela Food and Drug Administration dos EUA para cancros do sangue, e custam tipicamente entre 400.000 e 500.000 dólares, noticiou a ScienceDaily. Os doentes geralmente também têm de receber quimioterapia intensiva antes de as células modificadas serem infundidas; a ScienceDaily noticiou que este tratamento abre espaço na medula óssea para as células que vão entrar, mas pode ser extremamente exigente, sobretudo para doentes mais idosos ou clinicamente frágeis.

Justin Eyquem, doutorado, professor associado de medicina na UCSF e autor sénior do artigo, afirmou: 'Tornou-se uma questão de acesso global; muitos doentes que beneficiariam das células CAR-T ou não podem pagar por elas ou não as conseguem obter com a rapidez suficiente.' Disse que tem havido 'um grande impulso na área para tentar avançar para a produção direta destas células no corpo.' Eyquem afirmou ainda: 'Penso que isto é apenas o início de uma grande vaga de novas terapias que serão verdadeiramente transformadoras e salvarão muitas vidas.'

Eyquem e colaboradores dos Gladstone Institutes, da Universidade Duke e do Innovative Genomics Institute desenvolveram um sistema baseado em duas partículas diferentes que, em conjunto, entregam a maquinaria de edição genética CRISPR-Cas9, segundo a ScienceDaily. A ScienceDaily noticiou que a técnica dirigida teve um desempenho melhor do que a estratégia convencional de usar vírus para inserir ADN em locais aleatórios, e afirmou que o avanço poderá ter implicações além da CAR-T para terapias celulares e genéticas de forma mais ampla. Nas experiências com ratinhos, a equipa utilizou o método contra leucemia agressiva, mieloma múltiplo e um tumor sólido.

A ScienceDaily noticiou que, se a abordagem puder ser transposta para pessoas, poderá eliminar grande parte da produção, da despesa e da demora que atualmente limitam o acesso à terapia CAR-T. Noticiou também que produzir células imunitárias modificadas diretamente dentro do corpo, uma abordagem conhecida como produção in vivo, poderá potencialmente eliminar a necessidade da quimioterapia preparatória.

Contexto

A terapia com células CAR-T funciona ao dar às células T, que estão entre as principais células do sistema imunitário que combatem doenças, novas instruções genéticas para produzir recetores de antigénio quiméricos, que se projetam da superfície celular como antenas. Quando um desses recetores se liga a uma proteína específica numa célula cancerosa, envia um sinal à célula T para atacar e matar essa célula, segundo a ScienceDaily.

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