Trump diz que vai falar com Putin sobre noticiada morte por peste na Rússia
Uma trabalhadora de laboratório em Irkutsk morreu a 2 de outubro; as autoridades russas atribuem a morte a uma pneumonia de causa desconhecida, enquanto a OMS diz que o risco fora da Rússia é muito baixo.
Os factos
- Uma funcionária de 27 anos do Instituto de Investigação Antipeste de Irkutsk da Sibéria e do Extremo Oriente morreu a 2 de outubro depois de ter sido internada com pneumonia grave, noticiou o El País.
- O Rospotrebnadzor, agência de saúde pública da Rússia, atribui a morte a uma "pneumonia de etiologia desconhecida" e diz que não encontrou microrganismos ligados ao seu trabalho, noticiou o El País.
- A OMS classificou o risco fora da Rússia como "muito baixo" na terça-feira e disse estar em contacto com as autoridades russas, noticiou o Die Welt.
- Trump disse que falaria com Putin "muito em breve" e que os EUA estão a manter "conversações muito intensas", segundo o Die Welt e o South China Morning Post.
- O El País noticiou que cerca de 200 contactos estavam sob vigilância; os meios de comunicação locais apontavam 197, um número não confirmado pelas autoridades sanitárias russas.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse na terça-feira que falaria "muito em breve" com o presidente russo, Vladimir Putin, sobre uma noticiada morte por peste na Rússia, noticiaram o Die Welt e o South China Morning Post. Questionado na Casa Branca sobre avaliações dos serviços de informações dos EUA, Trump disse que os Estados Unidos estavam a manter "conversações muito intensas" e que provavelmente haveria mais a noticiar na quarta-feira, segundo o Die Welt. Na segunda-feira, Trump disse que os EUA estavam prontos para ajudar a Rússia a lidar com a situação e descreveu a doença como uma doença grave, noticiou o Die Welt.
A trabalhadora, uma funcionária de 27 anos do Instituto de Investigação Antipeste de Irkutsk da Sibéria e do Extremo Oriente, morreu a 2 de outubro depois de ter sido internada com pneumonia grave num hospital em Shelekhov, perto da capital regional, noticiou o El País. O Rospotrebnadzor, agência de saúde pública da Rússia, atribui o caso a uma "pneumonia de etiologia desconhecida", ou seja, de causa desconhecida, e diz que não encontrou microrganismos ligados à sua atividade profissional, segundo o El País. O El País noticiou que as autoridades negaram uma alegação, a circular em canais do Telegram e nos meios de comunicação locais, de que ela morreu devido a uma infeção contraída no seu local de trabalho.
O El País noticiou que a morte desencadeou uma emergência de saúde pública na região e que as autoridades restringiram o acesso ao hospital, com cerca de 200 contactos sob vigilância. Os meios de comunicação locais apontaram 197 pessoas sob vigilância, um número não confirmado pelas autoridades sanitárias russas, que não divulgaram os resultados das suas análises, segundo o El País. O South China Morning Post noticiou que as autoridades russas negaram ter imposto medidas antipeste e minimizaram as notícias de um incidente no instituto na região de Irkutsk, na Sibéria, na semana passada.
A Organização Mundial da Saúde classificou o risco fora da Rússia como "muito baixo" na terça-feira e disse estar em contacto com as autoridades russas após as notícias da morte da trabalhadora, noticiou o Die Welt. O Die Welt noticiou também que, segundo agências de inteligência dos EUA, tinha ocorrido um caso de peste na Rússia. O South China Morning Post noticiou que Washington pressionou Moscovo por transparência.
A peste é causada pela bactéria Yersinia pestis e permanece ativa em reservatórios animais, sobretudo pequenos mamíferos e as pulgas que transportam, com cerca de 2.000 casos por ano em África, na Ásia e nas Américas, noticiou o El País. A forma mais comum é a peste bubónica, associada a gânglios linfáticos inchados; a peste pneumónica, que afeta os pulmões, é muito menos comum e mais grave, segundo o El País. Brendan Wren, professor de patogénese microbiana na London School of Hygiene & Tropical Medicine, disse ao Science Media Centre que a Yersinia pestis é "bastante transmissível, mas não tanto como o SARS-CoV-2", o vírus que causa a Covid-19, noticiou o El País.
O período de incubação é geralmente de um a três dias, e a peste pneumónica não tratada pode ser rapidamente fatal, mas responde a antibióticos se administrados precocemente, desde que não haja resistência antimicrobiana, segundo o El País. O epidemiologista Malick Gibani, do Imperial College London, disse, em comentários distribuídos pelo Science Media Centre, que identificar, testar e isolar preventivamente os contactos de uma trabalhadora de laboratório que desenvolva uma doença compatível é uma medida proporcional. Ian Jones, especialista da University of Reading, disse que, se se tratasse de um acidente de laboratório, o risco de se propagar muito mais é baixo, porque os contactos foram identificados e podem receber tratamento a qualquer sinal compatível com infeção.
Contexto
O Die Welt noticiou que o telefonema planeado ocorre numa fase tensa entre Washington e Moscovo: a administração Trump tem de decidir até 18 de outubro quais instituições, empresas ou pessoas russas sancionar ao abrigo de uma nova lei norte-americana de sanções. Trump assinou a Lei Lindsey O. Graham de Sanções à Rússia e ao Irão em 18 de setembro, segundo o Die Welt. A Ucrânia apresentou ao governo dos EUA e ao Congresso uma lista de empresas, navios e pessoas russas que quer ver sancionados ao abrigo da lei, noticiou o Die Welt.
Como os media titularam
- Die WeltPestfall in Russland – Trump bietet Putin Hilfe an
- Le MondePneumonic plague: What we know about treatment and transmission of this disease that has 'not disappeared from the planet'
- El PaísWhat authorities have said about plague alert after death of a laboratory worker in Russia
- South China Morning PostTrump says will speak to Putin on plague, after death of Russian lab tech
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