O SPD exige que a CDU explique a eleição de político da AfD como presidente do parlamento da Saxónia-Anhalt
Dirigentes do SPD apelaram à CDU para explicar como um político da AfD foi eleito presidente do parlamento estadual da Saxónia-Anhalt com 48 votos.
Os factos
- O político da AfD Tobias Rausch foi eleito presidente do parlamento estadual da Saxónia-Anhalt com 48 votos em 6 de outubro, segundo a Tagesschau.
- O seu colega de partido na AfD, Hans-Thomas Tillschneider, foi eleito vice-presidente, informou a Tagesschau.
- A votação foi secreta; a direção do grupo parlamentar da CDU recomendou que os seus 15 deputados se abstivessem, mas houve apenas cinco abstenções.
- Houve 29 votos contra; o SPD, os Verdes e A Esquerda detêm, em conjunto, 24 mandatos.
- Dirigentes do SPD exigiram explicações à CDU; o líder da CDU, Friedrich Merz, não comentou, informou a Tagesschau.
Tobias Rausch, um político da AfD, foi eleito presidente do parlamento estadual da Saxónia-Anhalt (Landtag) com 48 votos na sessão constitutiva em Magdeburgo, a 6 de outubro, segundo a Tagesschau. O seu colega de partido Hans-Thomas Tillschneider foi eleito vice-presidente. A AfD e o BSW detêm, em conjunto, 44 mandatos e, como a votação foi secreta, não é claro quem votou nos candidatos da AfD, informou a Tagesschau.
A direção do grupo parlamentar da CDU tinha recomendado que os seus 15 deputados se abstivessem, mas a Tagesschau informou que houve apenas cinco abstenções. O SPD, os Verdes e A Esquerda tinham anunciado que votariam contra Rausch; em conjunto, detêm 24 mandatos. Houve 29 votos contra no total.
O líder do SPD, Lars Klingbeil, exigiu explicações à CDU. «O facto de o candidato da AfD, classificada como extremista de direita confirmada, ter sido eleito presidente do parlamento estadual da Saxónia-Anhalt com um número claramente superior ao dos votos da AfD levanta questões muito prementes», disse Klingbeil. «É uma quebra de tabu eleger extremistas de direita para tais cargos», disse, acrescentando que não só o BSW mas também a CDU têm de explicar urgentemente como isto aconteceu. O secretário-geral do SPD, Tim Klüssendorf, disse ao Rheinische Post: «A minha clara expectativa em relação à CDU é que esclareça prontamente quem, nas suas fileiras, terá eventualmente considerado correta esta decisão fatal.»
Muitos membros do grupo parlamentar do SPD no Bundestag juntaram-se a uma marcha de protesto no centro de Berlim, a 6 de outubro, percorrendo desde o Bundestag, através da Porta de Brandemburgo, até à Bebelplatz, local da queima de livros após a tomada do poder pelos nazis em 1933, segundo a Tagesschau. Vários deputados transportavam exemplares da Lei Fundamental, e o ministro da Defesa, Boris Pistorius, cantou o hino nacional após um discurso. «Este não é um dia normal», disse o líder do grupo parlamentar, Matthias Miersch, acrescentando que o SPD sentia o dever de mostrar as suas cores quando a democracia está sob pressão. Miersch disse que era a primeira vez desde a fundação da República Federal que extremistas de direita eram eleitos para a presidência de um parlamento estadual, o órgão de direção do parlamento, e que «isto tem de nos alarmar a todos».
A Tagesschau informou que A Esquerda e os Verdes acusaram a CDU por causa da votação e que o assunto se tornou uma questão no seio da coligação. O debate prosseguiu sobre se o «Brandmauer» — o distanciamento da CDU em relação à AfD, como a Tagesschau o descreveu — ainda se mantém. O líder federal do BSW, Fabio De Masi, disse ao Hamburger Abendblatt: «O 'Brandmauer' falhou.»
Contexto
O SPD e a CDU são parceiros na coligação federal da Alemanha, segundo a Tagesschau. A votação teve lugar na sessão constitutiva — a sessão de abertura de uma nova legislatura — do parlamento estadual da Saxónia-Anhalt, em Magdeburgo. Na política alemã, o «Brandmauer» refere-se ao distanciamento da CDU em relação à AfD; Klingbeil descreveu a AfD como classificada como extremista de direita confirmada.
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