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Navi Pillay, antiga responsável da ONU pelos direitos humanos, vence o Prémio Nobel da Paz de 2026

O Comité Nobel Norueguês atribuiu o Prémio da Paz de 2026 à juíza sul-africana Navi Pillay pelos seus esforços para promover a paz e o direito internacional.

09/10/2026, 23:08 UTC3 min de leitura3 Fontes

Os factos

  • Navi Pillay, 85 anos, antiga responsável da ONU pelos direitos humanos e agora juíza do Tribunal Internacional de Justiça, venceu o Prémio Nobel da Paz de 2026, anunciado a 9 de outubro.
  • O Comité Nobel Norueguês citou os seus esforços para promover a paz e o direito internacional.
  • É a quinta sul-africana a vencer o prémio, depois de Nelson Mandela e do arcebispo Desmond Tutu, segundo a BBC.
  • Presidiu à Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestiniano Ocupado de 2021 a 2025.
  • A France 24 transmitiu comentários de um professor de Direito que afirmou que a decisão de atribuir o prémio neste momento é controversa, sobretudo em relação a Israel e Gaza.

O Comité Nobel Norueguês atribuiu o Prémio Nobel da Paz de 2026 a Navi Pillay, antiga responsável da ONU pelos direitos humanos e atualmente juíza do Tribunal Internacional de Justiça, anunciou a 9 de outubro. O comité distinguiu-a «pelos seus esforços para promover a paz e o direito internacional», que, segundo o comité, abriram caminho para uma «ordem jurídica global mais abrangente», de acordo com a BBC. O presidente do comité, Jørgen Watne Frydnes, disse que o trabalho de Pillay foi «determinante para garantir que os crimes de guerra, os crimes contra a humanidade e o genocídio sejam levados a julgamento».

Pillay, 85 anos, é sul-africana e tornou-se a quinta vencedora do Prémio da Paz do país, informou a BBC, depois de Nelson Mandela e do arcebispo Desmond Tutu. Foi informada do prémio no Palácio da Justiça de Nuremberga e disse «deve ser uma piada», agradecendo às pessoas que se reuniram para a aplaudir. Numa entrevista ao programa noticioso alemão Tagesschau, chamou ao prémio «uma grande e bela surpresa» e disse que a notícia foi completamente inesperada.

Pillay defendeu ativistas anti-apartheid na África do Sul e, em 1967, tornou-se a primeira mulher a abrir um escritório de advocacia na província de Natal, segundo a BBC. Mais tarde, tornou-se a primeira mulher não branca nomeada para o tribunal superior da África do Sul. Foi juíza e, durante quatro anos, presidente do Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, apoiado pela ONU, que se centrou no genocídio de 1994, no qual foram mortas 800 mil pessoas, e foi eleita para o Tribunal Penal Internacional em 2003.

De 2021 a 2025, Pillay presidiu à Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestiniano Ocupado, informou a BBC. A comissão concluiu que Israel cometeu atos genocidas em Gaza e que o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o antigo ministro da Defesa, Yoav Gallant, «incitaram à prática de genocídio». O painel de três membros não falava oficialmente em nome da ONU e não tinha autoridade legal, segundo a BBC; Israel rejeitou as suas conclusões e acusou os membros de servirem como «testas de ferro do Hamas».

A France 24 transmitiu uma entrevista com Rosa Freedman, professora de Direito, Conflito e Desenvolvimento Global na Universidade de Reading. Freedman disse que a importância dos feitos de uma vida de Pillay deve ser distinguida da controvérsia em torno da decisão de lhe atribuir o prémio neste momento, sobretudo em relação a Israel e Gaza. Afirmou que o debate convida a examinar se o prémio reconhece o mérito individual ou serve como mensagem política.

Numa análise, a Tagesschau disse que a atribuição do prémio parecia destinada a ser uma tomada de posição contra aqueles que colocam o direito do mais forte acima do direito internacional, e que Pillay representa a ordem multilateral. A Tagesschau informou que Pillay é novamente juíza em Haia, no Tribunal Internacional de Justiça, presidindo a um caso em que Mianmar é acusado de genocídio. O comité Nobel reconheceu que o direito internacional tem fragilidades, mas chamou-lhe «fundamento para um mundo mais pacífico», informou a Tagesschau.

Contexto

A Tagesschau informou que o governo dos EUA sob Donald Trump pressionou organizações internacionais, incluindo o Tribunal Penal Internacional em Haia. Os EUA não são membros do tribunal e não reconhecem a sua jurisdição, mas apelam aos membros para que saiam, informou a Tagesschau. Depois de os juízes do TPI terem emitido mandados de detenção contra três representantes do Hamas, o antigo ministro da Defesa israelita Yoav Gallant e o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, a administração Trump disse que pretendia desmantelar o tribunal «tijolo a tijolo», e os EUA sancionaram 13 funcionários do tribunal, incluindo procuradores, juízes e a presidente do tribunal, Tomoko Akane, segundo a Tagesschau.

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