Merz insta SPD e Verdes em Berlim a não formar coligação com a Esquerda
O chanceler Friedrich Merz afirmou, a 7 de outubro, que se opunha a um governo de Berlim liderado pela Esquerda e apontou uma maioria CDU-Verdes-SPD como alternativa.
Os factos
- Merz falou a 7 de outubro no evento "Deutschland-Gipfel" organizado pelo Handelsblatt e pela WirtschaftsWoche em Berlim.
- Afirmou que a CDU, os Verdes e o SPD também detêm uma maioria no Abgeordnetenhaus de Berlim e apelou ao "centro político" para impedir um burgomestre-governador da Esquerda.
- A Esquerda tornou-se a força mais forte na eleição de Berlim de 20 de setembro, com 25,7 por cento, noticiou o Der Spiegel.
- A Esquerda, os Verdes e o SPD planearam uma terceira conversa preliminar para quarta-feira, noticiou o Der Spiegel.
- Cerca de 80 signatários iniciais apoiaram um "Berliner Appell für Verantwortung" contra uma coligação com a Esquerda, noticiou o Der Spiegel.
O chanceler Friedrich Merz (CDU) instou os Social-Democratas (SPD) e os Verdes, a 7 de outubro, a não formarem uma coligação com a Esquerda em Berlim, segundo o Der Spiegel e o Die Welt. Intervindo no evento "Deutschland-Gipfel" organizado pelo Handelsblatt e pela WirtschaftsWoche em Berlim, Merz afirmou que a CDU, os Verdes e o SPD também detêm uma maioria no Abgeordnetenhaus de Berlim, o parlamento da cidade-estado. Apelou ao "centro político" para que "cumpra a sua responsabilidade" e utilize a maioria existente para impedir um burgomestre-governador da Esquerda na capital, noticiou o Die Welt.
Merz afirmou que o seu aviso sobre uma aliança vermelho-vermelho-verde (a Esquerda, o SPD e os Verdes) na capital era "muito sério" e acrescentou: "Não consigo imaginá-lo", segundo ambos os meios de comunicação. O Der Spiegel titulou que Merz "exigiu" que o SPD e os Verdes não formassem uma coligação com a Esquerda; o Die Welt titulou que ele avisou contra o vermelho-vermelho-verde e "pôs em jogo uma coligação com a CDU". O Die Welt noticiou que Merz também referiu o seu próprio partido como possível parceiro de coligação.
Merz associou as suas declarações a 7 de outubro, afirmando: "Precisamente hoje, a 7 de outubro, assinalamos o terrível ataque terrorista contra Israel", noticiou o Der Spiegel. Acrescentou: "Afirmamos o direito de Israel a existir, e isso é inabalável — opomo-nos ao antissemitismo crescente na Alemanha." O Die Welt descreveu a data como o terceiro aniversário do "grande ataque" do Hamas contra Israel. Merz perguntou se "estes princípios não negociáveis da nossa comunidade" deveriam "seriamente ser negociados" para uma aliança governamental "no meio da nossa capital", e disse que ficou "sem palavras", noticiou o Die Welt.
Nas eleições para o Abgeordnetenhaus de Berlim, a 20 de setembro, a Esquerda tornou-se a força mais forte, com 25,7 por cento, noticiou o Der Spiegel. O Die Welt noticiou que a cabeça de lista da Esquerda, Elif Eralp, anunciou depois que visava um governo com os Verdes e o SPD. O Der Spiegel noticiou que a Esquerda, os Verdes e o SPD planearam uma terceira conversa preliminar para quarta-feira, com o objetivo declarado de chegar a acordo sobre antissemitismo, racismo e criminalidade organizada. O Die Welt noticiou que uma decisão sobre conversações exploratórias poderia surgir na quarta-feira, mas que uma declaração pública era esperada na quinta-feira devido ao aniversário.
Na terça-feira, dezenas de pessoas da política e da sociedade civil alertaram contra uma coligação com a Esquerda num "Berliner Appell für Verantwortung", noticiou o Der Spiegel, citando o Tagesspiegel. Entre os cerca de 80 signatários iniciais estavam o antigo presidente do Bundestag Wolfgang Thierse (SPD), o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros Joschka Fischer (Verdes) e o antigo chefe da Chancelaria Peter Altmaier (CDU), noticiou o Der Spiegel. O documento foi publicado pelo co-iniciador Volker Beck, presidente da Sociedade Germano-Israelita, e foi também assinado por representantes da comunidade judaica, pela antiga comissária dos registos da Stasi Marianne Birthler, pelo antigo líder estadual do SPD Martin Hikel e por vários antigos senadores da cidade, segundo o Der Spiegel.
O político da CDU Johannes Volkmann criticou os planos do SPD e dos Verdes em Berlim de realizarem conversações exploratórias com a Esquerda, noticiou o Die Welt. Afirmou que seria "realmente uma rutura cultural" (Kulturbruch) se o partido do "Yalla Yalla Intifada" recebesse as chaves do Rotes Rathaus, a câmara municipal de Berlim, segundo o meio de comunicação.
Contexto
O Abgeordnetenhaus de Berlim é o parlamento da capital alemã. Após as eleições de 20 de setembro, tanto uma coligação Esquerda-SPD-Verdes como uma coligação CDU-Verdes-SPD teriam maioria, segundo o Der Spiegel e o Die Welt. Merz é o chanceler da Alemanha e membro da CDU.
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