Política

Polícia indiana detém deputados da oposição em protesto sobre listas eleitorais em Deli

A polícia de Deli deteve deputados da oposição que marchavam para a Comissão Eleitoral para exigir a demissão do comissário eleitoral-chefe Gyanesh Kumar devido a uma revisão das listas eleitorais.

06/10/2026, 22:15 UTC4 min de leitura2 Fontes
Um homem de barba e cabelo grisalho, vestindo uma camisa branca e calças bege, está sentado numa barreira amarela rodeado por numerosos fotógrafos e operadores de câmara que seguram máquinas fotográficas e smartphones. Veem-se árvores e uma vedação metálica ao fundo. A cena sugere um protesto ou manifestação política.
Um homem de barba e cabelo grisalho, vestindo uma camisa branca e calças bege, está sentado numa barreira amarela rodeado por numerosos fotógrafos e operadores de câmara que seguram máquinas fotográficas e smartphones. Veem-se árvores e uma vedação metálica ao fundo. A cena sugere um protesto ou manifestação política.Foto: AFP / Getty Images

Os factos

  • A polícia de Deli deteve deputados da oposição que marchavam para a sede da Comissão Eleitoral em 6 de outubro de 2026, segundo a BBC.
  • Rahul Gandhi e a sua irmã Priyanka Gandhi foram forçados a entrar num autocarro da polícia e libertados pouco depois, segundo a BBC.
  • A oposição afirmou que 237 deputados participaram; a polícia não divulgou quantos foram detidos.
  • Os manifestantes exigem a demissão do comissário eleitoral-chefe Gyanesh Kumar devido à Revisão Intensiva Especial (SIR) das listas eleitorais.
  • A Comissão Eleitoral afirma que a revisão remove eleitores duplicados e inelegíveis; mais de 130 milhões de nomes foram retirados das listas provisórias, segundo a BBC.

A polícia de Deli deteve vários deputados da oposição em 6 de outubro, quando marchavam em direção à sede da Comissão Eleitoral para exigir a demissão do comissário eleitoral-chefe Gyanesh Kumar. O principal líder da oposição, Rahul Gandhi, do partido do Congresso, a sua irmã Priyanka Gandhi e outros deputados foram forçados a entrar num autocarro da polícia, segundo a BBC. Foram libertados pouco depois, retomaram a marcha e iniciaram uma sentada junto à sede da comissão.

O comissário-adjunto adicional da Polícia Manjeet Sheoran disse à BBC que os agentes estavam posicionados em vários pontos e que os manifestantes foram recolhidos em autocarros e levados para diferentes esquadras. A polícia não divulgou quantos deputados foram detidos, informou a BBC. A oposição afirmou que 237 deputados de vários partidos participaram na marcha.

A NPR noticiou que os protestos se espalharam pela Índia na semana passada, liderados por partidos da oposição e grupos da sociedade civil. O protesto de Deli ocorreu quatro dias depois de o Cockroach Janta Party (CJP), descrito pela BBC como um movimento satírico online apoiado pela Geração Z, ter organizado manifestações em Mumbai e Deli, exigindo também a demissão do comissário. O grupo descreveu essas manifestações como o início de uma campanha nacional e apelou a novos protestos em 10 de outubro, segundo a BBC. A NPR noticiou que a campanha foi liderada em parte pelo movimento juvenil "Cockroach" da Índia, que, segundo a mesma fonte, organizou anteriormente protestos de rua que forçaram a demissão do ministro da Educação em julho.

No centro da disputa está a Revisão Intensiva Especial (SIR) da Comissão Eleitoral, uma revisão nacional das listas eleitorais que, segundo a BBC, começou no estado oriental de Bihar em junho de 2025 e mais tarde se alargou a outras partes do país. A comissão afirma que a revisão visa remover eleitores duplicados e inelegíveis; até agora, mais de 130 milhões de nomes foram retirados das listas eleitorais provisórias em todo o país, segundo a BBC. Partidos da oposição e ativistas alegam que muitos eleitores elegíveis foram excluídos indevidamente e acusam a comissão de conduzir o processo de forma indevida. O BJP e a Comissão Eleitoral rejeitam as alegações e dizem que a revisão não tem motivação política; o partido de Modi afirma que a lista está a ser atualizada para eliminar o que chama de "infiltrados", noticiou a NPR.

Os apelos à demissão de Kumar intensificaram-se depois de o jornal Indian Express ter noticiado que os comissários eleitorais Sukhbir Singh Sandhu e Vivek Joshi se opuseram formalmente, pelo menos 14 vezes ao longo de 10 meses, a decisões e ordens que afirmaram ter sido emitidas em nome da comissão sem o seu conhecimento, segundo a BBC. As objeções estavam relacionadas com adições e eliminações nas listas eleitorais, o acesso à base de dados de eleitores e a segurança dos dados eleitorais, com algumas preocupações diretamente ligadas ao programa de revisão. A Comissão Eleitoral, um órgão de três membros composto pelo comissário eleitoral-chefe e dois comissários eleitorais, defendeu o seu processo de decisão, afirmando que visões divergentes faziam parte do funcionamento institucional e que as decisões tinham acabado por ser tomadas por unanimidade.

A NPR noticiou que a questão teve grande destaque nas eleições estaduais de 2026 em Bengala Ocidental, depois de uma revisão das listas eleitorais ter removido cerca de 9 milhões de nomes, aproximadamente 12% do eleitorado, e que as eliminações deixaram milhões de eleitores elegíveis incapazes de votar. O partido de Modi venceu o estado pela primeira vez, segundo a NPR. A NPR noticiou ainda que a lei indiana exige uma votação por maioria dos membros da comissão para aprovar alterações, o que torna os desacordos entre eles potencialmente significativos.

Contexto

A Índia é a maior democracia do mundo, com centenas de milhões de pessoas a votar em eleições nacionais e estaduais, segundo a NPR. A sua Comissão Eleitoral é um órgão constitucional independente que supervisiona as eleições e mantém as listas eleitorais, o que torna as alterações às listas eleitorais politicamente significativas. Ao abrigo da revisão, os eleitores têm de apresentar documentos que comprovem que são elegíveis para permanecer nas listas, o que, segundo os críticos, é difícil para pessoas que não possuem registos governamentais antigos, noticiou a NPR.

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