Clima

Colheita de vinho francesa estimada em 35 milhões de hectolitros, 14% abaixo da média

A colheita de vinho francesa de 2026 está estimada em cerca de 35 milhões de hectolitros, uma descida de 14% face à média de 2021–2025, indicou o Ministério da Agricultura a 7 de outubro.

07/10/2026, 14:26 UTC3 min de leitura1 Fontes
Grande plano de uvas escuras enrugadas e folhas secas numa videira de uma vinha francesa. As uvas danificadas pelo calor e pela seca ilustram o impacto das ondas de calor do verão na colheita de vinho deste ano.
Grande plano de uvas escuras enrugadas e folhas secas numa videira de uma vinha francesa. As uvas danificadas pelo calor e pela seca ilustram o impacto das ondas de calor do verão na colheita de vinho deste ano.Foto: AFP

Os factos

  • O Ministério da Agricultura estimou a 7 de outubro que a colheita de vinho francesa de 2026 será de cerca de 35 milhões de hectolitros, menos 2% do que em 2025 e 14% abaixo da média de 2021–2025.
  • A France 24 noticiou que o declínio reflete as ondas de calor do verão e uma redução de 1,9% das áreas cultivadas no último ano.
  • A produção de Champagne caiu para metade face a 2025 e à média dos cinco anos, e a colheita naquela região terminou em setembro pela primeira vez, noticiou a France 24.
  • A produção da Borgonha e do Beaujolais está projetada em 30% abaixo da média dos cinco anos, enquanto Bordéus deverá subir 10% face a 2025.
  • A Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) afirmou que a produção francesa de 2025 foi a mais baixa desde 1957.

A colheita total de vinho em França está estimada em cerca de 35 milhões de hectolitros (100 litros cada), menos 2% do que em 2025 e 14% abaixo da média de 2021–2025, segundo estimativas publicadas a 7 de outubro pelo Ministério da Agricultura. A France 24 noticiou que uma série de ondas de calor de verão atingiu o setor vitivinícola. Segundo a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), que acompanha estatísticas globais sobre a produção e o consumo de vinho, França já tinha registado em 2025 a sua produção mais baixa desde 1957.

A France 24 noticiou que o declínio se deve não só ao tempo quente, que, segundo a emissora, foi ligeiramente atenuado pela chuva recente, mas também a uma redução das áreas cultivadas, cortadas em 1,9% no último ano. O Ministério e o setor sublinharam a "excelente saúde" da colheita, livre de fungos e de outras doenças relacionadas com a humidade, segundo a France 24.

Os números regionais variam muito. Em Bordéus, a produção deverá aumentar 10% face a 2025, apesar de uma diminuição de 5% das áreas cultivadas, embora continue 11% abaixo da média de 2021–2025. No Sudoeste, a subida é de cerca de 12%, essencialmente um regresso à média dos quatro anos anteriores. Na Borgonha e na região do Beaujolais, a produção está projetada para ser 30% inferior à média dos cinco anos.

Em Champagne, a France 24 noticiou que os produtores tiveram de fazer uma colheita excecionalmente precoce depois de o calor extremo ter acelerado a acumulação de açúcar nas uvas e, por conseguinte, a produção natural de álcool. A colheita ali terminou em setembro pela primeira vez, com a produção reduzida para metade face a 2025 e à média dos cinco anos. O produtor Claude Mandois disse que colheu três quartos de um rendimento médio em termos de volume, acrescentando: "em termos de qualidade visual e em termos de sabor, tivemos uma colheita excecional."

Jérôme Despey, presidente do conselho consultivo do vinho da agência pública FranceAgriMer e viticultor no sul do departamento de Hérault, afirmou: "É um nível de heterogeneidade que nunca tinha experimentado antes." Disse que, no sul, "temos visto que as vinhas têm sido mais resilientes ao clima", com anteriores períodos de calor intenso a levar os produtores a adaptar práticas de gestão da vinha, como deixar em grande parte as folhas para proteger as uvas.

Contexto

A France 24 noticiou que as ondas de calor do verão atingiram o setor vitivinícola francês, acelerando a acumulação de açúcar nas uvas e forçando uma colheita excecionalmente precoce em Champagne. O declínio também reflete uma redução de 1,9% das áreas cultivadas no último ano, e a OIV afirmou que a produção de 2025 já era a mais baixa de França desde 1957.

Como os media titularam

Como foi feito

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