Saúde

Enzimas que interrompem sinais bacterianos desviam a placa dentária para espécies ligadas à saúde

Investigadores relataram que lactonases, enzimas que decompõem moléculas de comunicação bacteriana, desviaram comunidades de placa dentária para espécies ligadas à saúde oral.

07/10/2026, 09:42 UTC2 min de leitura1 Fontes

Os factos

  • A boca humana alberga cerca de 700 espécies de bactérias, segundo a ScienceDaily.
  • Algumas bactérias orais comunicam através de moléculas chamadas N-acil homoserina lactonas, ou AHLs.
  • Bactérias da placa dentária produziam sinais AHL acima da linha gengival, e bactérias abaixo da linha gengival detetavam-nos, segundo a ScienceDaily.
  • As lactonases, enzimas que decompõem AHLs, perturbaram essa sinalização, e a comunidade da placa desviou-se para espécies associadas à saúde oral.
  • A investigação foi publicada em 2025 na npj Biofilms and Microbiomes.

Investigadores examinaram como os sinais químicos moldam a placa dentária e se esses sinais podem ser manipulados para apoiar uma comunidade mais saudável de bactérias da boca, segundo a ScienceDaily. O trabalho foi publicado em 2025 na npj Biofilms and Microbiomes. A equipa incluía investigadores de uma Faculdade de Ciências Biológicas e de uma Faculdade de Medicina Dentária.

A boca alberga cerca de 700 espécies de bactérias, noticiou a ScienceDaily. Muitos destes micróbios trocam sinais químicos através de um processo chamado quorum sensing, que permite às bactérias detetar quantas células vizinhas estão presentes e coordenar o comportamento de grupo. Algumas bactérias orais usam moléculas conhecidas como N-acil homoserina lactonas, ou AHLs, para comunicar.

Os investigadores descobriram que bactérias na placa dentária produziam sinais AHL em ambientes aeróbios, como acima da linha gengival, onde há oxigénio disponível. Bactérias que vivem em ambientes anaeróbios abaixo da linha gengival, onde os níveis de oxigénio são muito mais baixos, conseguiam detetar essas mesmas mensagens. A ScienceDaily noticiou que esta ligação era importante porque as condições abaixo da linha gengival podem favorecer bactérias associadas à doença periodontal (doença das gengivas).

A equipa usou então enzimas especializadas chamadas lactonases para remover sinais AHL. As lactonases decompõem estas moléculas de comunicação, interrompendo a conversa bacteriana. Quando os investigadores perturbaram a sinalização AHL, a comunidade da placa desviou-se para espécies mais fortemente associadas à saúde oral.

"A placa dentária desenvolve-se numa sequência, muito como um ecossistema florestal", disse Mikael Elias, professor associado na Faculdade de Ciências Biológicas e autor sénior do estudo. Disse que espécies pioneiras como Streptococcus e Actinomyces se instalam primeiro e são geralmente inofensivas e associadas a uma boa saúde oral, enquanto colonizadores posteriores incluem bactérias do "complexo vermelho", como Porphyromonas gingivalis, que, segundo ele, estão fortemente ligadas à doença periodontal. Elias disse que perturbar os sinais químicos que as bactérias usam para comunicar poderia permitir que a comunidade da placa permanecesse na sua fase associada à saúde ou regressasse a ela.

A ScienceDaily noticiou que os resultados sugerem que enzimas cuidadosamente escolhidas poderão um dia ser usadas para alterar a composição da placa dentária. Segundo o relatório, tais enzimas também poderiam ajudar a manter um equilíbrio mais saudável de microrganismos na boca.

Contexto

As bactérias adaptam-se bem a condições em mudança, o que pode tornar espécies nocivas resistentes a antibióticos e desinfetantes. Ao mesmo tempo, muitas espécies bacterianas desempenham papéis úteis na saúde humana, incluindo as centenas de micróbios que vivem na boca. Isso levou os investigadores a estudar se o comportamento bacteriano pode ser influenciado em vez de matar as bactérias.

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